Bob BurnquistBob Burnquist tem nome de gringo, mas é brasileiríssimo.
Robert Dean Silva Burnquist, o Bob, nasceu em Copacabana, filho de um norte-americano que se casou com uma mineira. Mora em San Diego, Califórnia, desde 1994 e, aos 25 anos, é o melhor skatista da atualidade (terminou 2000 como primeiro do ranking, fato inédito para um brasileiro), tem a maior pista vertical do mundo no quintal de sua casa, virou personagem de joguinhos eletrônicos e com tantos patrocinadores, se deu ao luxo de recusar apoio da Nike.
Lá no quintal - Bob, que não pode ficar "sem andar de skate" não economizou na construção de uma pista, a maior do mundo, no quintal da sua casa, uma chácara, na zona rural de Vista, em San Diego. Escolheu cuidadosamente todos os profissionais que participariam do projeto, que levou 115 dias para ser executado e ficou pronto em fevereiro deste ano. A pista tem 37 metros de largura e 21 m de comprimento, um half de aproximadamente 20 m e cerca de 4 m de altura, uma mini-rampa de 2,30 m e uma cápsula de 4 metros de altura e inclinação de 130 graus. O orçamento, de US$ 30 mil, foi em muito estourado: a pista custou US$ 93 mil (teve a ajuda de patrocinadores). O que encareceu o projeto foi o material do revestimento (skatelite), similar ao usado em barcos. São chapas que não absorvem a água e duram a vida inteira. "Nunca andei em uma pista maior. Mas o melhor é que é no meu quintal." Bob sempre sonhou com uma pista particular, mas confessa que não esperava construir uma desse tamanho, tão grande. Explica que é uma necessidade para poder praticar o esporte com freqüência. "Não chamo de treino, ando de skate. Não penso milimetricamente nas manobras que tenho de fazer. Tudo flui, acontece... é improvisação." Brinca que, por isso, escolheu um esporte individual. "Não gosto que falem o que preciso fazer."

Liberdade - Bob começou "a andar" de skate aos 11 anos, "como qualquer moleque". Junto com o pai, comprou as peças e montou o primeiro equipamento. Aos 13, estreou em competições. "Me senti independente, capaz de conquistar as coisas", afirma o skatista, que na época não se intimidava em pegar ônibus-metrô-ônibus para praticar o esporte, em uma pista indoor, em Pinheiros. Só queria saber de skate, nem ligava para a escola. Somente no colegial, voltou a se interessar por literatura. Lamenta não ter cursado a universidade, mas acha que se aprende muito com as constantes viagens, para todos os continentes, por causa do esporte. "Hoje leio muito sobre espiritismo, tanto em português como em inglês." Na casa dos pais, aprendeu as duas línguas e culturas. "Acabaria indo para os Estados Unidos de um jeito ou de outro."
Fonte:Estadão

